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Flamboyant

Emílio Santiago

quetzal0219 873 Emílio Santiago Flamboyant

Por quantas noites eu me vi desencantar

Enquanto os palcos desabavam sobre mim

O meu amor então beijava o meu olhar

Dizia:"Vamos lá! Levanta e vai cantar!"



E eu me vestia e ela ia amamentar

Nosso menino era platéia e camarim

E dos seus seios parecia perguntar:

"Meu pai, o que é que há?

Me beija e vai cantar"



E eu sabia que tinha que ir

Pra amenizar toda a dor da cidade

E eu pousava nos pianos por aí

Tal qual um sabiá pousa num flamboyant

Por quantas vezes eu pedi a Deus de manhã

Deixar eu cantar pro Brasil

Abrir o portão, o leite e o pão

E o rabo do cão que diz não quando é sim


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Meu amor já na porta de casa

Tendo ao colo o nosso Arlequim

Me dava a impressão de um samba de Tom Jobim



Até que um dia eu resolvi desencantar

E desabei por sobre os palcos do país

O meu amor ainda beija o meu olhar

E eu digo:"Vamos lá! Cantar pra quem chorar"



E eu peço a Deus para poder doar a luz

Que minha voz cumpra a missão de atenuar

Toda a armagura dessa terra de Jesus

E eu digo:"Vera Cruz, canta pra não chorar!"



E pros que cantam nos teus cabarés

Tenham orgulho desta profissão

Pousem nos galhos dos pianos, violões

E a voz é um colibri, nas flores das canções



E todo dia eu peço a Deus pela manhã:

"Conserva-me a simplicidade

Pra ter no portão o leite e o pão"

O rabo do cão que diz não quando é sim



Meu amor está na porta de casa

E o sorriso do meu Arlequim

E um céu de emoções e eu sou uma luz assim

A brilhar, a brilhar, a brilhar



Meu amor sempre à porta de casa

E o sorriso do meu Arlequim

Sou um samba-canção eterno de Tom Jobim

A cantar, a cantar, a cantar

Letra añadida por: votasgu (#11.473)

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