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Chão de Giz

Oswaldo Montenegro

Miguel 24 Oswaldo Montenegro Chão de Giz
de: Zé Ramalho


Eu desço dessa solidão, disparo coisas sobre um chão de giz

Há meros devaneios tolos a me torturar

Fotografias recortadas em jornais de folhas amiúde

Eu vou te jogar num pano de guardar confetes

Eu vou te jogar num pano de guardar confetes


Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão-vizir

Há tantas violetas velhas sem um colibri

Queria usar quem sabe, uma camisa de força ou de vênus

Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro

Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom


Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez

Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar

Meus vinte anos de "boy", "that s over, baby" , Freud explica

Não vou me sujar fumando apenas um cigarro

Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom

Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval

E isso explica porque o sexo é assunto popular


no mais estou indo embora

no mais estou indo embora

no mais estou indo embora


Eu desço dessa solidão, disparo coisas sobre um chão de giz

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