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Meu velho pai

Teixeirinha

franz 35 Teixeirinha Meu velho pai
[Intro]



Um par de espora sangrenta

Um mango de couro duro

Um chapéu velho empoeirado

Uma faca do cabo escuro

Um schimitt trinta e oito

Um pala cheio de furo

Uma guaiaca sovada

No mesmo prego seguro

Ao contemplar fico triste

Seu dono já não existe

Só a saudade persiste

Daquele gaúcha puro

( )


Meu pensamento vagueia

Perdido no infinito

Relembra o dono dos trastes

Que fora seu manuscrito

Quando montava um cavalo

Era sempre favorito

Quer no rodeio ou na doma

Seu trabalho era bonito

Na tropiada era um doutor

Nas domas um domador

Na cordeona um trovador

E na laçada um perito

( )


Assim foi meu velho pai

Como laço de rodilha

Enquanto é novo se espicha

Nos chifres de uma novilha

Depois a morte golpeia

Só fica os trastes da encilha

Pendurados na parede

Recordação pra família

Ele já não é mais nada

Num túmulo a beira da estrada

Uma cruz velha arrodeada

De flores de maçanilha

( )


Oigalê, morte traiçoeira

Que chega como um pialo

Sessenta, setenta anos

Tira um homem do cavalo

Arranca dos filhos e netos

E atira dentro dum valo

Parece um minuano chucro

Que leva as folhas do talo

Meu velho pai que saudade

Do seu carinho e bondade

Choro uma barbaridade

Quando no seu nome falo

[Final]

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