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Arca de Noé

Vinicius de Moraes

Josemarin2009 6 Vinicius de Moraes Arca de Noé
"Sete em cores, de repente, o arco-íris desata Na água límpida e
contente Do ribeirinho da mata.
O Sol, ao véu transparente Da chuva de ouro e de prata
Resplandece, resplendente, no céu, o chão, na cascata."


E abre-se a porta da arca

Lentamente surgem francas

A alegria e as barbas brancas

Do prudente patriarca

Vendo ao longe aquela serra

E as planícies tão verdinhas

Diz Noé: "Que boa terra

Pra plantar as minhas vi................nhas

Ora vai, na porta aberta

De repente, vacilante

Surge lenta, longa e incerta

Uma tromba de elefante

E de dentro de um buraco

De uma janela aparece

Uma cara de macaco

Que espia e desaparece

"Os bosques são todos meu!"

Ruge soberbo o leão

"Também sou filho de Deus!"

Um protesta; e o tigre "Não!"

A arca desconjuntada

Parece que vai ruir

Entre os pulos da bicharada

Toda querendo sair

Afinal com muito custo

Indo em fila, aos casais

Uns com raiva, outros com susto

Vão saindo os animais

Os maiores vêm à frente

Trazendo a cabeça erguida

E os fracos humildemente

Vêm atrás, como na vida

Longe o arco-íris se esvai

E desde que houve essa história

Quando o véu da noite cai

Erguem-se os astros em glória

Enche o céu de seus caprichos

Em meio a noite calada

Ouve-se a fala dos bichos

Na terra Repovoa...........da.

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