×
×
5x
Tamaño
Altura
Auto-Scroll

Querência

Vitor Ramil

ANTONIO59 28 Vitor Ramil Querência

Deixei a velha querência
Saí de lá mui novinho
Com tabuleta ao focinho
E a marca já descascada

Ponta da cola aparada

Sinal de laço ao machinho

Por estes campos afora
Deste Rio Grande infinito
De pago em pago ao tranquito
Repontando o meu destino

Do campo grosso pro fino

Fui me criando solito


Angico, Mariano Pinto

Picada onde me criei

Por tudo ali eu andei

Bebendo e jogando a tava

Bem montado sempre andava

Corri carreira e dancei

Cruzei picadas escuras
Prum baile ou jogo de prenda
Derrubei porta de venda
Pra tomá um trago de canha

E esporeei boi na picanha

Em tudo que foi fazenda

O que viesse eu topava
Serviço, festa ou peleia
Cortei muita cara feia
De indiozito retovado

E amancei muito aporreado

Com pé-de-amigo e maneia


Um dia me deu saudades

E eu fui rever o meu pago

Sentir da china o ao

E o vento frio do pampeiro

No coração caborteiro

Do meu peito de índio vago

O tempo passou, lá se foi
E eu não queria que fosse
Tudo pra mim terminou-se
Nem eu sou mais o que era

A estância virou tapera
E o que era xucro amansou-se


E hoje só o que me resta

É o pingo, o laço e o pala

Pistola, só com uma bala

E a estrada pra bater casco

No cano da bota um frasco

E um fiambrezito na mala!

Relacionados

Letras más leídas de Vitor Ramil

Inicia sesión para guardar esta canción en favoritos

Iniciar sesión