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Prevendo Futuro

Baitaca

garciantelo 32 Baitaca Prevendo Futuro

Quando as minhas mãos já não tiverem o mesmo tato

E pra golpear um potro já esteja faltando força no braço

Quando eu levantar uma armada de pialo e me enredar no laço

Certamente o boi irá correr mais e entrar no mato


E quando meus olhos ao longo dos campos não cortar distância

E a juventude que em roubar orgulho não dar-me importância

Com os olhos cansados eu olharei o mundo tão cheio de ânsias

Levarei trombadas de saudades do meu tempo de infância


Quando a minha espora não tinir mais num tranco estradeiro

E o canto do galo silenciar ao longe em frias madrugadas

Quando meu chapéu e o bico da bota não juntar geada

O cavalo bom estará ficando muito mais ligeiro


E quando minha adaga num fim de fandango não der um tinido

E o meu grito forte de eira boiada meio enrrouquecido

Ao redor do fogo lembrarei de tantos recuerdos perdidos

Serei mais um laço velho arrebentado num canto esquecido


Quando meus cabelos branquearem o meu rosto já estará enrugado

Vou sentir receio do chifre do touro que ao tiro e não dobra

O peso dos anos curvará meu corpo fraco sem manobra

Longe do entrevero, do grito dos pialos e do berro do gado


E quando minha voz calar-se pra sempre ao entardecer

Só Deus saberá qual o meu destino quando sol nascer

O campo, as coxilhas, banhados e estradas não vão mais me ver

Não quero morrer, mas a morte é certa quando envelhecer

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