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Laço da Saudade

Cacique e Pajé

blake7 17 Cacique e Pajé Laço da Saudade

Domingo a tarde remuido de cansaço

Pus a rede no terraço e balançando adormeci

Talvez puchado pelo laço da saudade

Sonhei deixando a cidade e voltando onde nasci


Esta imagem maquiada de poeira, pela estrada boiadeira

Eu cheguei ao por do sol

Eu fui pisando sobre a relva verdejante

E senti por um instante, pisar no verde lençol

Eu vi o gado ruminado na invernada

Ouvi um pui na palhada, do inhambu xororó

Vi a paineira, o curral e o mangueirão

vi o velho carretão já coberto de cipó

Vi as abelhas revoando no enxame

entre a cerca de arrame vi a nascente da mina

Lavei o rosto e bebi água com as mãos

contemplando a perfeição da natureza divina

Vi meu cavalo relinchar na estrebaria


Dos guardados que um dia deixei no velho baú

Vi barrigueira, xinxado e travessao

Que eu mesmo fiz a mão com sedem e couro crú

Vi o chapéu, o par de botas e a sineta

Uma espora sem roseta que eu quebrei no rodeio

Eu vi o laço, o berrante e a guaiaca

Protegidos pela capa, pendurado no esteio

Eu vi mamãe com o vestido de bola

E papai com a viola de craveiras de madeira

Neste momento eu acordei tão tristonho

E revi pelo meu sonho, eu chorei a noite inteira

Tudo o que eu vi sei que não reverei mais


Porque ao perder meus pais, para tudo disse adeus

Mais não lamento meu sofrimento profundo

Porque tudo neste mundo, é por vontade de deus

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