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Cindrela

Carlos Paião

scorpiosx 16 Carlos Paião Cindrela

Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir

Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir

Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar

Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar


Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé

Ele lá lhe disse, a medo: o meu nome é Pedro e o teu qual é?

Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: sou a cinderela

Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela


Então

Bate, bate coração Louco, louco de ilusão

A idade assim não tem valor

Crescer

Vai dar tempo pra aprender, vai dar jeito pra viver

O teu primeiro amor


Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério

Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério

Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou

Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele até chorou


Então

Bate, bate coração Louco, louco de ilusão

A idade assim não tem valor

Crescer

Vai dar tempo pra aprender, vai dar jeito pra viver

O teu primeiro amor


E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos

E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos

E, num desses momentos, houve sentimentos a falar por si

Ele pegou na mão dela: sabes Cinderela, eu gosto de ti


Então

Bate, bate coração Louco, louco de ilusão

A idade assim não tem valor

Crescer

Vai dar tempo pra aprender, vai dar jeito pra viver

O teu primeiro amor

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