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Ser Ou Não Ser Eis a Questão

Dejane o Cantor Dos Poetas

juliocazo 16 Dejane o Cantor Dos Poetas Ser Ou Não Ser Eis a Questão
(intro)

(refrão)

Ser ou não ser, eis a questão. Acaso

É mais nobre a cerviz curvar aos golpes

Da ultrajosa fortuna, ou já lutando

Extenso mar vencer de acerbos males?


Morrer, dormir, não mais. É um sono apenas,

Que as angústias extingue e à carne a herança

Da nossa dor eternamente acaba,

Sim, cabe ao homem suspirar por ele.

Morrer, dormir. Dormir? Sonhar quem sabe!

Ai, eis a dúvida. Ao perpétuo sono,

Quando o lodo mortal despido houvermos,

Que sonhos hão de vir? Pesá-lo cumpre.


Essa a razão que os lutuosos dias

Alonga do infortúnio. Quem do tempo

Sofrer quisera ultrajes e castigos,

Injúrias da opressão, baldões de orgulho,


Do mal prezado amor, choradas mágoas

Das leis a inércia, dos mandões a afronta,

E o vão desdém que de rasteiras almas

O paciente mérito recebe,

(refrão)


Quem se na ponta da despida lâmina

Lhe acenara o descanso? Quem ao peso

De uma vida de enfados e misérias

Quereria gemer, se não sentira

Terror de alguma não sabida coisa

Que aguarda o homem para lá da morte,

Esse eterno país misterioso

De onde um viajor sequer há regressado?


Este só pensamento enleia o homem;

Este nos leva a suportar as dores

Já sabidas de nós em vez de abrirmos

Caminho aos males que o futuro esconde;

E a todos acovarda a consciência.

Assim a reflexão à luz mortiça

A viva cor da decisão desmaia;

E o firme, essencial cometimento,

Que esta idéia abalou, desvia o curso,

Perde-se, até de ação perder o nome.

Que esta idéia abalou, desvia o curso,

Perde-se, até de ação perder o nome.

(intro)

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