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Onde Estás Tu, Mamã?

Jorge Palma

Deosport 11 Jorge Palma Onde Estás Tu, Mamã?
[Intro]


Os serões habituais

As conversas sempre iguais

Os horóscopos, os signos e ascendentes

Mais a vida da outra sussurrada entre os dentes

Os convites nos olhos embriagados

Os encontros de novo adiados

Nos ouvidos cansados ecoa

A canção de lisboa


Não está só a solidão

Há tristeza e compaixão

Quando sono acalma os corpos agitados

Pela noite atirados contra colções errados

Há o silêncio de quem não ri nem chora

Há divórcio entre o dentro e o fora

E há quem diga que nunca foi boa

A canção de lisboa


Mamã, mamã

Onde estás tu mamã

Nós sem ti não sabemos mamã

Libertar-nos do mal


Mamã, mamã

Onde estás tu mamã

Nós sem ti não sabemos mamã

Libertar-nos do mal

( )


A urgência de agarrar

Qualquer coisa para mostrar

Que afinal nos também temos mão na vida

Mesmo que seja a custa de a vivermos fingida

O estatuto para impressionar o mundo

Não precisa de ser mais profundo

Que o marasmo que nos atordoa

Ó canção de lisboa


As vielas de néon

As guitarras já sem som

Vão mantendo viva a tradição da fome

Que a memória deturpa e o orgulho consome

Entre o o e a gruta ainda fria

O abandonado da carne vazia

Cada um no seu canto entoa

A canção de lisboa


Mamã, mamã

Onde estás tu mamã

Nós sem ti não sabemos mamã

Libertar-nos do mal


Mamã, mamã

Onde estás tu mamã

Nós sem ti não sabemos mamã

Libertar-nos do mal

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