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Carvão e Giz

Luiz Carlos da Vila

Xiomy 21 Luiz Carlos da Vila Carvão e Giz

Ele era malandro e ela veio de Paris

Ele era o bronze e ela o chafariz

Deu-se, estranhamente a grande dama

Num olhar de meretriz

Ao mestre-sala das senzalas do país

O amor da galeria pediu bis

Ele era passista, nota dez da Imperatriz

Ela destaque de Leila Diniz

Quando o olhar e os corpos de tocaram

Se fundiu carvão e giz

Ele era o caule e ela era a flor-de-lis

O amor na maior festa do país

E assim fez-se a luz e a treva

Deu-se a claridade

Flor-de-lis entregou-se, enfim

Como alguém que se entrega à doce impunidade

Fizeram amor num banco de jardim

Foi um chafariz de amor no centro

A água fora e o bronze dentro

Num je t aime explodiu Leila Diniz

Hoje ela é a dona da senzala

A mulher do mestre-sala

Nota dez da Imperatriz

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