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Menino da Porteira

Rionegro e Solimões

alfredomusic 19 Rionegro e Solimões Menino da Porteira
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Toda vez que eu viajava

Pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava

A figura de um menino

Que corria abrir a porteira

Depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço

Que é pra eu ficar ouvindo

Quando a boiada passava

E a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda

Ele saia pulando
Obrigado boiadeiro

Que Deus vá lhe acompanhando
Por este sertão afora
( )
Meu berrante ia tocando


No caminho desta vida

Muito espinho eu encontrei
Mas nenhum caso mais triste

Do que este eu passei

Na minha viagem de volta

Qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada

O menino não avistei

Apeei do meu cavalo

Num ranchinho à beira chão
Vi uma mulher chorando

Quis saber qual a razão
Boiadeiro veio tarde

Veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho
( )
Foi um boi sem coração

Lá pra banda de Ouro Fino

Levando gado selvagem
Quando passo na porteira

Até vejo a sua imagem

O seu rangido tão triste

Mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro

desejando boa viagem

A cruzinha do estradão

Do meu pensamento não sai
Eu já fiz um juramento

Que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure

Que eu precise ir atrás
Nesse pedaço de chão
( )
Berrante eu não toco mais

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