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Na Hora do Almoço

Àrvores de Carvalho

laudur2001 77 Àrvores de Carvalho Na Hora do Almoço

No centro da sala, diante da mesa

No fundo do prato comida e tristeza

A gente se olha, se toca e se cala

E se desentende no instante em que fala

Medo, medo, medo, medo, medo, medo

Cada um guarda mais o seu segredo,

A sua mão fechada, a sua boca aberta,

O seu peito deserto, a sua mão parada,

Lacrada, selada, molhada de medo



Pai na cabeceira, é hora do almoço

Minha mãe me chama, é hora do almoço

Minha irmã mais nova, negra cabeleira

Minha avó reclama, é hora do almoço

( )


Que eu ainda sou bem moço prá tanta tristeza

Deixemos de coisa, cuidemos da vida

Pois se não chega a morte ou coisa parecida

Que nos arrasta moço sem termos visto a vida

Ou coisa parecida, ou coisa parecida,

Ou coisa parecida

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