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Testamento de Peão

Wilson Paim

Shara 37 Wilson Paim Testamento de Peão



Meus cabelos tem a cor dos gelos da madrugada

Meus pés que quebraram geadas mau conseguem me apoiar

Sei que Deus vai me chamar em seguida pra o seu lado

Vou feliz por ter deixado uma herança partilhar


Não tenho um palmo de terra criação só o cusco amigo

Que talvez siga comigo até a última morada

O rancho a beira da estrada não é meu é do patrão

Os arreios também são na guaiaca fica nada


(Quem quiser ser meu herdeiro que siga a sina de peão

Não vai viver com dinheiro mas vai morrer com a razão

Quem quiser ser meu herdeiro que siga a sina de peão

Não vai viver com dinheiro mas vai morrer com a razão)
Int. Dm C Bb F A7 Dm F

Mas deixo as marcas das mãos no couro gasto do laço

Deixo a força do meu braço nos arames que espichei

Deixo as cordas que trancei deixo abertos mil caminhos

Deixo o gosto dos carinhos dos lábios de quem amei


Deixo meu sangue no sangue de algum piazito atrevido

Deixo meu suor espremido fertilizando este chão

Deixo a sombra do galpão pra algum andejo cansado

E deixo o açude pra o gado, matar sede no verão

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