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Incelença Pra Terra Que o Sol Matou

Elomar Figueira Melo

ldavis 17 Elomar Figueira Melo Incelença Pra Terra Que o Sol Matou

Levanto meus olhos

Pela terra seca

Só vejo a tristeza

Que desolação

Uma ossada branca

Fulorando o chão


E o passo-Rei, rei do manjar

Deu bença à Morte pra avisar

Pra os urubus de outros lugá

Que vissem logo pro jantar

Do Rei do Fogo e do luar

Do luar sizudo

Do Rio Gavião


Mais o sol malvado

Quemô os imbuzêro

Os bode e os carneros

Toda a criação

Tudo o sol queimou


É que tão as era

Já muito alcançada

A palavra veia

Reza que haverá

De chegar um tempo

Só de perdedera


Que só haverá de escapar

Burro criolo e criação

Que pra cumê levanta as mão

E que um irmão pra outro irmão

Saudava que essa pregação


Lembra que a morte

Te espera meu irmão

E o sol da má sorte

Rei da tribusana

Poupou sussarana

Carcará ladrão

Isso o sol poupou!


Mas não há de ser nada

Na função das bestas

Prurriba da festa

Perigrina a fé

Sei que ainda resta

Cururu-tetê


Na minha casa há um silenço

A tuia pura e o surrão penso

O meu cachorro amigo imenso

Deitou no chão ficou em silêncio

E nunca mais se alevantou


Inté os olhos d água

Chorou que secou

E o sol dessas mágua

Quemou os imbuzero

Os bode e os carnêro

Toda a criação

Tudo o sol queimou

No Rio Gavião

Tudo o sol quemou

Toda a criação

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