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Cantiga Para o Meu Chão

César Oliveira e Rogério Melo

Sidneykax 23 César Oliveira e Rogério Melo Cantiga Para o Meu Chão

Sinto na goela a força desta cantiga

Que certamente há de irmanar o meu povo

Pra que a esperança e a humildade se acolherem

E se entreverem na busca de um mundo novo


Erguendo ranchos de santa fé e pau a pique

Bolcando a terra com mariposas e arados

Semeando vidas na imensidão deste pampa

Mantendo a estampa do Rio Grande abagualado


Foi junto aos tauras que nasceram das peleias

E os que entregaram corpo e alma ao nosso chão

Que veio à tona este apego sem costeio

Que faz floreio e nos golpeia o coração


Temos nas veias o mesmo sangue dos guapos

Temos no peito a mesma gana dos outros

Que se extraviaram em faturas de gado alçado

Ou nos banhados sumiram boleando potros


Esta querência falquejada a ferro e fogo

Fez do gaúcho um centauro sobre a terra

Trazendo adiante uma trajetória que encanta

E na garganta um bravo grito de guerra


Este gaudério que cortou várzeas e grotas

Desdobrou léguas na volta dos corredores

Costeou matreiros sovando garras e laços

Abrindo espaços pra ginetes e pealadores


Um sentimento dentro de mim se alvorota

Por isso eu canto clamando por liberdade

A esta gente que luta changueando uns cobres

E além de pobres enfrentam desigualdades


Mas algum dia há de brotar campo à fora

Frutos de um sonho que um dia serão tronqueira

Pra palanquear uma tropilha de mouros

E os índios touros vão surgir na polvoadeira!

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