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Velório do Juca Torto

César Oliveira e Rogério Melo

Freddy 10 César Oliveira e Rogério Melo Velório do Juca Torto
[Intro]


Fui no velório do querido Juca Torto
Eu era intimo do morto

Pero mucho mas da viúva
Babava água pesos de raio e trovão
Entrei de chapéu na mão

E poncho encharcado da chuva


Tomei um trago de canha meio sem jeito

É que tenho esse defeito de gostar de coisa triste

E quem resiste a um vélório com cachaça

com rapadura, bolacha e umas véia pra dizer um xiste


Varei a sala arrastando as nazarenas

Corri o zóio na morena

Chorando embaixo de um véu

Tinha um gaiteiro vaqueano das horas brabas

Que floriava uma pianada pedindo as bençãos pra o céu

(refrão)

Não chora linda, não chora minha querida

Porque a saudade é um mal que o tempo cura

Não chora linda, não chora minha querida

Que nessas voltas da vida agente acha o que procura


Não chora linda, não chora minha querida

Porque a saudade é um mal que o tempo cura

Não chora linda, não chora minha querida

Que nessas voltas da vida agente acha o que procura

( )


Eu tinha um lenço bordado com as inicial

E ofereci muy cordial tapado de sentimento
Não te preocupa que os amigos são pra isso

Fica aqui meu compromisso te amparar neste momento


Vendo a quietude que negasiava o ambiente

Fui pra o lado de um parente falando o que era preciso

Me deem licença que eu conhecia o finado

Sei que ia querer o coitado que eu cantasse de improviso

"Juntei o sombreiro ao peito
E saquei um verso da guela

Sentido eu faço este verso

Em respeito ao falecido

Que era muito meu amigo

Desde os tempos de guri

Se agora me encontro aqui

Pra te dizer por inteiro

Pode ir te embora parceiro

Que a viúva eu cuido pra ti"

( )

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