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De Ponta a Ponta

Leonel Gomez

jcorriaabel 28 Leonel Gomez De Ponta a Ponta
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Ao passo encabela no ventre fecundo

Do pêlo que manda a herança que tem

E a brasina que ao largo de uma invernada

Se apronta pra o parto no agosto que vem


Ao quarto de lua que a prenha completa

Despeja o terneiro sem ser partejada

E a pampa renasce num berro sentido

Que acorda distancias pela madrugada


O vento levanta a geada no campo

E levanta o brasino coiceando a macega

Se assombra do vulto do pala e o cavalo

Assim por instinto de pronto se nega


Na cura do umbigo e na capa da cama

Se traça o destino que amargo se apronta

Tristeza pra os olhos do homem campeiro

É mais um terneiro a seguir ponta á ponta


Se vão primaveras e outros brasinos

Engordam no campo cumprindo sua sina

Pra que o sol de maio clareie seus couros

Mas na triste visagem de carnal pra cima


O vento levanta a geada no campo

E levanta o brasino no rumo de aponta

Tristeza pra os olhos do homem campeiro

É mais um terneiro a seguir ponta á ponta

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